quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

a ela, pra ela

Um ultraje urbano...
ar bucólico me invade as têmporas
como mofo
o culto vem abaixo
o trato vira merda.


vejamos os ratos
desse buraco,da velha Canedo
debaixo de sete palmos de vergonha
uma estrela cadente*
cai no esgoto, respiga em mim
toda gente

sexo, tapa na cara e um cigarro
um skate de madeira podre
cheiro de carne morta
o cheiro que vem da festa
da morte agitada da cidade

vento que espalha
caos,caos,caos...
inóspito, sentimento a ti
coração de bueiro da velha
Canedo;
que ama os becos,e vive no lixo.

autor:.Paulo Henrique.:
*estrela cadente aqui com o significado de decadente.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

DECOMPONDO-SE

A decadência dominante
entre paredes e regras
com um gentil que ira falecer
talvez uma outra chance para me
em um lugar decomposto em morais estéticas.

Desfile de tecidos e carnes
um mundo de iguais
me evocando a fúria
nesse pântano urbano
estou em um necrotério analisando
cadáver por cadáver
de qual morto formarei corrente?

Tento estar longe de todos os necrófagos
brincando com os orgasmos
numa onda de adoração ao eu
no doce desperta de muito tempo.

É cedo para julgar os enfermos e os sãos
neste estabelecimento manicomial da vida
ensinados a ser um vegetal
de um pomar envaidecido.

ass:.Paulo Henrique.:

sábado, 12 de janeiro de 2008

AS APARENCIAS REVELAM


Afirma uma firma que o Brasil
confirma:``vamos substituir o cafe pelo aço``.

vai ser duríssimo descondicionar
o paladar

não há na violência
que a linguagem imita
algo da violência
propriamente dita?

:.Cacaso.:

ULISSES


O buzio junto ao ouvido
ouço o mar
O mar:apenas
quarteirão e meio onde moro
prefiro ouvi lo no buzio

(calmo, calmo)
no quarto
(a vida que para)
ouço o mar

:.FRANCISCO ALVIM.:

ARTE DO CHA


Ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silencio
comigo

Ele veio
meio a esmo
praticamente nao disse nada
e ficou por isso mesmo.

autor:.PAULO LEMISKI.:

POESIA DE ANA


TENHO UMA FOLHA BRANCA
E LIMPA A MINHA ESPERA:
MUDO CONVITE

TENHO UMA CAMA BRANCA
E LIMPA A MINHA ESPERA:
MUDO CONVITE

TENHO UMA VIDA BRANCA
E LIMPA A MINHA ESPERA:
AUTOR:.Ana Cristina César.:

FOGO FATUO


Ela é uma mina versátil
o seu mal é ser muito volúvel
apesar do seu jeito volátil
nosso caso anda meio insolúvel

Se ela veste seu manto dia fano
sai de noite e volta de dia
eu escuto os cantores de ébano
e espero ela chegar da orgia

Ela pensa que sou fogo-fátuo
e me esquenta em banho-maria
se estouro sou pior que o átomo
ainda afogo essa nega na pia.

autor:.CHACAL.:

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O LADO OBISCURO DA LUA


ME GUIA OBSCURA A FACE NEGRA DA BELEZA

BRILHAVA LINDA MAS AGORA ME PRESENTEIA COM SANGUE

ME NEGA , ME RENEGA ,ME CEGA, ME ENLOUQUECE.

.


ASS:.PAULO HENRIQUE

eu odeio esta cidade



CHEIO DE SODOMIA
MENTES VADIAS
EU ODEIO TUA PODRE POESIA
VAI CORROENDO OS SOBREVIVENTES
MATANDO OS DE MENTE SAM
CONSTRUINDO TORRES DE AGONIA DENTRO DE MIM....
ASS :.PAULO HENRIQUE

cidades mortas




Súbito surge como um catafalco
Uma cidade ao mapa-múndi estranha.
(...)
Desta cidade pelas ruas erra
A procissão dos Mártires da Terra. ("Insônia")

O Estado, a Associação, os Municípios
Eram mortos. De todo aquele mundo
Restava um mecanismo moribundo
E uma teleologia sem princípios." ("As cismas do destino")

Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios! ("As cismas do destino")

Dedos denunciadores escreviam
Na lúgubre extensão da rua preta
todo o destino negro do planeta ("Noite do visionário")