A forma de ação direta proposta é AMIZADE e cumplicidade (a filosofia não falara de nossos afetos enquanto ela não for exercida entre AMIGOS, o que passa longe de um exercício de erudição), a AMIZADE que buscamos, produz intensidades, trocas, reciprocidade, tesão, vazão, uma lista longa de potências sendo construídas, “vê, nós não amamos, como as flores, numa única estação; quando amamos, circula em nossos braços uma seiva imemorial”.
Disseste ou escreveste milhões ou muitos milhares de palavras. E deve haver nessa nebulosa uma estrela que seja a tua. Não a saberás nunca.Ferreira Virgilio
sábado, 31 de agosto de 2024
notas para Post Morten
1. Em queda
Voo livre para o fim do mundo
Desaparição
2. Isso é tudo nada
o quanto eu posso explicar
As palavras se desgastaram
3. Desertei
desesperei
Me joguei no trânsito
4. E o pulso ainda pulsa
respira com dificuldade
Nas próprias águas se afoga
5. É indizível…
Eu suicidado
Me disseram muito sobre mim
Que eu era e sou
Que devo ser e que me tornei
Que se eu não escutasse eu não mudaria
Que eu não era assim
Que eu deveria ser e deixar de ser
Morto serei cristalizado
Objeto translúcido
Para enxergarem através de mim
Para dizerem que eu era assim
Imaginando que me conheciam
Se perguntando sobre o que eu faria
Como na vida na morte eu não seria escutado
Como na vida eu seria interpretado
Por isso venho já morto
Epistolário moribundo
Dando tiro no coração
Para julgarem meu peito oco
Baleando o céu da boca
Deixando rastros de um pensamento estilhaçado
Fragmentos espalhados
Atenciosamente EU suicidado.
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
Três Devaneios
DESFAZENDO
Estava Eu no fio de sol que invadiu pela fresta do telhado? Pele morta e outras partículas compondo a dança do pó, absorto meus pensamentos giravam em conjunto com o Todo, Eu poeira cósmica, resto de supernova, molécula diante do sol. Desfazendo-me na poeira…
EM SUAS NARINAS…
Queria ser sua heroína, para você viciar em mim, queria está na sua corrente sanguínea, que me buscasse como um viciado em suas narinas, queria que eu fosse sua instiga, te provocaria overdose, te obsedaria e sairia na urina, seria o teu gozo e ruína.
A VADIA
Provocando sem me importar, eu vivo a me rebelar, eu não me rendo, não negocio e só me entrego ao que quero, rio do seu murmurar e me agarro as suas coxas a unha, arrancarei os seus pelo me alimentando do seu gozo, gargalharei simulando o olhar de um monstro, debochando do seu cansaço, enquanto me cubro com o seu suor.
domingo, 25 de agosto de 2024
Ideia De Nada Novo Sobre O Sol
O mundo é insuportável, e para mim dar coragem de partida talvez me falte mesmo escrever um texto bom, um texto que eu de sentido a falta de sentido, enfim…
Eu desisto, sou uma coletânea de fracassos e frustrações, venho me enganando a muito tempo, me sinto incapaz de expressar o que eu já não sei o que, então escrevendo agora pra me forçar a finalmente tomar controle sobre minha vida, eu não sou alguém, eu sou ninguém, os canalhas vão ficar muito feliz em saber que eu fui muito triste, desesperado, desolada, abandonado aos meus pensamentos como um cão de rua, um medicante, como o viado sem sorte e ridículo e sem amigos derrotado, como eu mesmo, então meu velório será uma festa, cheio de risos, deve ser porque darei menos despesas e preocupações para minha mãe, não sirvo para nada e não acredito em ninguém, como não acredito mais em mim, que eu quase cheguei na ilusão de acreditar, eu ainda consigo segurar o choro, meu coração dói, meu corpo dói fisicamente, se eu tenho uma alma doi, eu sou esse corpo obeso, deprimida, que escreveu pra ter coragem de morrer.
terça-feira, 30 de julho de 2024
Elegia póstuma (détournement Xwekuj)
Todo instante é terrível. No entanto, quem, se eu gritando, compreende o vazio? E mesmo que um deles inesperado me tomasse em seu coração, incrédulo eu ainda aniquilar-me-ia. Os que ainda existem são demasiados fortes.
Reprimido o soluço, advertido que não há amparo neste mundo definido.
Quando é que existi?
Restituo o peso a Terra ( Deitando, não esqueça pão e leite à mesa. Isso atrai os mortos.)
Sei que nada sou.
O Nunca Mais tem fome.
Me mataria em julho
Se eu não temesse
A incerteza de não ter descanso.
segunda-feira, 25 de março de 2024
Sociedade Fechada
Sociedade fechada, massacres pelas fachadas, vidas nuas em sarjetas e
abortos abandonados, somo os deserdados da terra da chacina
produzida pela segurança pública,
somos a plebe invisível sobrevivendo ao desmoronamento social em um colapso global e anunciamos o apocalipse do real, não há sentido nos seus falsos signos que esconde um mercúrio retroagindo em suas veias abertas da América invadida,
testemunho de toda a carnificina em suas barragens rompidas, soterrados no terror de suas milícias, e a classe herdeira aqui formam quadrilhas organizadas num estado genocida, pela família se matam bichas e a pátria goza a cada bala perdida, ordem e progresso nos necrotérios e deus no céu será que abençoa sua chacina?
Poema de Leitor Subversivo
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